O Que os Antigos Chineses Comiam? Uma História Alimentar de Dinastia por Dinastia
Introdução: Não é o Que Você Esperaria
Se você viajasse no tempo para uma mesa de jantar chinesa há dois mil anos, provavelmente não reconheceria muito. Não havia pimentas (elas vieram das Américas no século XVI). Sem tomates. Sem batatas, milho ou amendoins. Sem fritura rápida — essa técnica não se tornou comum até que as panelas de ferro se tornaram baratas durante a Dinastia Song. E, durante a maior parte da história chinesa, a maioria das pessoas seguia uma dieta predominantemente baseada em grãos, monótona e frequentemente insuficiente. Vale a pena ler a seguir: Moda Chinesa Antiga: O Que as Pessoas Realmente Usavam Através das Dinastias.
A rica e diversificada culinária chinesa, celebrada mundialmente hoje, é o produto de milênios de inovação agrícola, comércio ao longo da 丝绸之路 (Sīchóu zhī Lù, Rota da Seda) e intercâmbio cultural. Sua história acompanha a própria história da civilização chinesa.
Shang e Zhou: Milheto, Vinho e Ritual
Durante a Dinastia Shang (商朝 Shāng Cháo, c. 1600–1046 a.C.), o grão básico era o milheto (粟 sù) — não o arroz. O clima seco do norte da China favorecia o cultivo de milheto, e a maioria das pessoas o consumia como mingau (粥 zhōu) ou bolos cozidos no vapor. O arroz (稻 dào) era cultivado no sul mais úmido, mas não se tornaria o grão principal do norte da China por séculos.
No entanto, a elite Shang se alimentava bem. Inscrições em ossos oraculares e restos de vasos de bronze mostram que a classe dominante consumia carne de boi, porco, carneiro, peixe e carne de cachorro, acompanhadas de vinhos de grãos fermentados elaborados (酒 jiǔ). Os vasos cerimoniais de bronze — ding (鼎, caldeirões tripés), gui (簋, recipientes de alimentos) e jue (爵, copos de vinho) — não eram apenas equipamentos de cozinha; eram objetos sagrados utilizados em cerimônias de adoração aos ancestrais.
A Dinastia Zhou (周朝 Zhōu Cháo, 1046–256 a.C.) formalizou a comida em rituais. O Livro dos Ritos (礼记 Lǐjì) prescrevia alimentos específicos para ocasiões específicas — ingredientes sazonais, combinações apropriadas e a ordem correta de servir. O número de pratos servidos indicava a classe social: o 皇帝 (huángdì) — o Imperador — recebia a mesa mais elaborada.
Dinastia Han: A Despensa da Rota da Seda
A Dinastia Han (汉朝 Hàn Cháo, 206 a.C. – 220 d.C.) trouxe uma revolução nos ingredientes. As missões diplomáticas de Zhang Qian (张骞) à Ásia Central (139–126 a.C.) abriram a Rota da Seda, e com ela veio uma enxurrada de novos alimentos: uvas, nozes, gergelim, coentro, pepinos e alho — todos desconhecidos até então na China.
O tofu (豆腐 dòufu) é tradicionalmente atribuído à invenção da Dinastia Han, supostamente criado por Liu An (刘安), o Príncipe de Huainan, por volta de 164 a.C. Se essa atribuição específica é precisa ou não, o processamento de soja em coalhada foi, sem dúvida, uma inovação da era Han que forneceu proteína barata para uma população crescente.
Os Han também testemunharam o crescimento dos macarrões (面 miàn). Evidências arqueológicas de Lajia, na província de Qinghai, incluem uma tigela de macarrão de milheto de 4.000 anos — possivelmente o macarrão mais antigo já encontrado — embora o macarrão de trigo tenha se tornado o padrão durante a Dinastia Han, com a expansão do cultivo do trigo.
Dinastia Tang: Culinária Cosmopolita
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