Vestidos por Dinastia
O que você usava na China imperial dizia ao mundo exatamente quem você era — sua classe social, sua ocupação, sua etnia e a qual 朝代 (cháodài) — dinastia — você servia. As regulações de vestuário eram codificadas em lei, aplicadas por oficiais e levadas com extremo rigor. Usar a cor errada, o tecido inadequado ou o chapéu impróprio podia trazer punições que iam desde o açoite até o exílio.
A moda na China nunca foi apenas moda. Era política, identidade e ideologia entrelaçadas no tecido. Saiba mais sobre isso em O Exame Imperial: O Primeiro Teste Padronizado do Mundo.
Dinastia Han: O Nascimento do Hanfu
O termo 汉服 (hànfú) — literalmente “roupa Han” — refere-se amplamente ao traje tradicional da maioria étnica Han da China, mas sua forma clássica se consolidou durante a Dinastia Han (汉朝 Hàn Cháo, 206 a.C. – 220 d.C.). A estrutura básica era uma túnica com gola cruzada (交领 jiāolǐng) que envolvia o corpo da direita para a esquerda, presa por um cinto em vez de botões. Este detalhe de envolver o tecido da direita para a esquerda tinha um significado cultural — povos “bárbaros” associavam-se à forma inversa, da esquerda para a direita, e vestir a túnica ao contrário era uma declaração política.
As roupas da Dinastia Han eram relativamente igualitárias no corte, mas estritamente hierárquicas nos materiais. Camponeses usavam cânhamo ou algodão bruto em tons naturais de marrom ou branco. Comerciantes, apesar da riqueza, eram legalmente proibidos de usar seda — uma regra feita para manter as barreiras sociais entre a elite intelectual do estilo 科举 (kējǔ) e a classe mercante. Oficiais usavam seda em cores designadas por suas patentes. O 皇帝 (huángdì) — Imperador — monopolizava certos tons de amarelo e roxo.
A moda feminina no período Han preferia um vestido longo e fluido chamado 曲裾 (qūjū), que envolvia o corpo em espiral. Figuras de terracota sobreviventes mostram mulheres com penteados elaborados presos com ornamentos de jade e ouro — uma prévia da tradição do cabelo como símbolo de status que se intensificaria nas dinastias seguintes.
Dinastia Tang: Glamour Cosmopolita
Se os Han definiram os fundamentos da moda chinesa, a Dinastia Tang (唐朝 Táng Cháo, 618–907 d.C.) a levou aos seus pontos mais espetaculares. Chang'an, capital Tang, era a cidade mais cosmopolita do mundo, e sua moda refletia a confiança de uma civilização no auge.
A moda feminina Tang era ousada para qualquer época. Saias de cintura alta (齐胸襦裙 qíxiōng rúqún) com blusas de decote baixo exibiam um nível de decote que teria escandalizado períodos chineses anteriores e posteriores. As mulheres usavam roupas masculinas para montar a cavalo — uma prática possível graças à relativa abertura de gênero na sociedade Tang (não por acaso, esta foi a era de Wu Zetian). Modas estrangeiras da Ásia Central, Pérsia e Índia foram adotadas com entusiasmo: chapéus pontudos, túnicas de mangas estreitas e botas substituíam as tradicionais chinelas chinesas entre a elite fashionista.
A maquiagem era elaborada e teatral. Pó facial branco, lábios coloridos com vermelho-vermillion e pintinhas de beleza (花钿 huādiàn) aplicadas ao rosto — uma maquiagem que complementava o espírito vibrante da Dinastia Tang.