Três Reinos: A História Que Se Tornou a Maior História da China

Por Que a China Não Pode Deixar Ir

O período dos Três Reinos (220-280 d.C.) durou sessenta anos. No amplo panorama da história chinesa, é um ponto — uma breve e caótica interlúdio entre a queda da Dinastia Han e a reunificação sob os Jin.

E, no entanto, é o período mais famoso, mais adaptado e mais debatido da história chinesa. Há mais romances, séries de TV, filmes, videogames e quadrinhos sobre os Três Reinos do que sobre qualquer outra era. Cao Cao (曹操), Liu Bei (刘备) e Zhuge Liang (诸葛亮) são mais famosos do que a maioria dos imperadores que governaram por décadas. Os leitores também gostaram de Liu Bei vs. Cao Cao: A Rivalidade Suprema da História Chinesa.

Por quê? Porque os Três Reinos não são realmente sobre história. É sobre as questões que a cultura chinesa não consegue parar de perguntar: O que faz um governante legítimo? É a astúcia ou a virtude mais eficaz? Um bom homem pode ter sucesso em um mundo corrupto?

Os Três Jogadores

Cao Cao (曹操) controlava o norte. Ele era brilhante, implacável e pragmático. Escreveu poesia. Ele reformou a agricultura. Também massacrou civis e manipulou o último imperador Han como um fantoche. A cultura chinesa tradicional o retratou como o vilão, mas reavaliações modernas foram mais generosas — ele foi, pelos padrões de sua época, um governante eficaz.

Liu Bei (刘备) controlava o sudoeste (Shu). Ele alegava descendência da família imperial Han e se posicionava como o herdeiro legítimo da dinastia. Era conhecido por sua virtude, lealdade a seus irmãos juramentados e sua habilidade de atrair seguidores talentosos. Se sua virtude era genuína ou estratégica é um dos grandes debates da crítica literária chinesa.

Sun Quan (孙权) controlava o sudeste (Wu). Ele é o menos romantizado dos três, em parte porque seu reino era o mais estável e, portanto, o menos dramático. A estabilidade não faz boas histórias.

Zhuge Liang: O Homem Mais Inteligente Que Já Viveu (Talvez)

Zhuge Liang (诸葛亮), o principal estrategista de Liu Bei, é a figura mais idealizada da cultura popular chinesa. Ele é retratado como um gênio que poderia prever o futuro, controlar o clima e superar qualquer oponente através da pura inteligência.

O Zhuge Liang histórico foi impressionante, mas humano. Ele era um administrador habilidoso e um estrategista militar competente que, no final, não conseguiu alcançar seu objetivo de restaurar a Dinastia Han. Suas Expedições do Norte contra Cao Wei foram corajosas, mas malsucedidas. Ele morreu em campanha aos 53 anos.

O Zhuge Liang ficcional — o do Romance dos Três Reinos — é algo totalmente diferente. Ele é um semi-deus da inteligência, uma figura que representa o ideal chinês de que a sabedoria deve triunfar sobre a força bruta. O fato de que esse ideal falha repetidamente na história real é parte do que torna o romance grandioso.

O Romance vs. A História

Romance dos Três Reinos (三国演义), escrito por Luo Guanzhong no século XIV, é um dos Quatro Grandes Romances Clássicos da literatura chinesa. Baseia-se na história, mas não é...

Sobre o Autor

Especialista em História \u2014 Historiador especializado em história dinástica chinesa.

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