Wu Zetian: A Única Imperatriz da China
A Mulher que Ignorou as Regras
Em 1.300 anos de história imperial chinesa — da unificação Qin em 221 a.C. até a queda da Dinastia Qing em 1912 — apenas uma mulher deteve oficialmente o título de 皇帝 (huángdì), Imperador. Não imperatriz consorte, não imperatriz viúva, não regente — Imperador, por direito próprio, com seu próprio nome dinástico. O nome dela era Wu Zetian (武则天, 624–705 d.C.), e sua história continua a ser uma das ascensões políticas mais extraordinárias da história humana.
Em uma civilização onde a doutrina confucionista subordinava explicitamente as mulheres aos homens, onde a frase "galinhas cantando ao amanhecer" (牝鸡司晨 pìnjī sīchén) era um aviso padrão contra o envolvimento político feminino, Wu Zetian não apenas tomou o poder supremo, mas o manteve por mais de duas décadas e, por muitas medidas, o exerceu de forma competente.
De Concubina a Imperatriz
Wu Zetian entrou no palácio imperial aos 14 anos como uma concubina de quinto nível (才人 cáirén) do Imperador Taizong da dinastia Tang. Essa não era uma posição glamourosa — o palácio Tang continha centenas de mulheres classificadas em uma hierarquia elaborada, e uma concubina de quinto nível tinha acesso limitado ao imperador. Quando Taizong faleceu em 649, o protocolo ditava que suas concubinas deveriam raspar a cabeça e entrar em um convento budista.
Wu Zetian realmente entrou no convento. Mas ela já tinha chamado a atenção do filho e sucessor de Taizong, o Imperador Gaozong, que a convocou de volta ao palácio como sua própria concubina. Isso foi escandaloso — essencialmente um filho tomando a mulher de seu pai — mas Gaozong estava encantado, e Wu Zetian era estratégica.
Em cinco anos, ela superou a imperatriz existente de Gaozong e sua consorte favorita, ambas as quais foram eventualmente depostas e, segundo histórias posteriores, brutalmente mortas. Em 655, Wu Zetian era Imperatriz Consorte. Na década de 660, com Gaozong cada vez mais debilitado por doenças (possivelmente AVCs), ela estava efetivamente dirigindo o governo.
Tomando o Trono
Após a morte de Gaozong em 683, Wu Zetian governou como regente para dois de seus filhos em sucessão, depondo ambos quando se mostraram insuficientemente obedientes. Em 690, ela deu o passo final: declarou uma nova dinastia — a Zhou (周朝 Zhōu Cháo) — e proclamou-se Imperador, não Imperatriz. Se isso lhe interessa, confira Qin Shi Huang: O Primeiro Imperador que Criou a China.
A distinção é importante. Ela não reivindicou o poder por meio de um parente masculino. Ela o reivindicou como seu, adotando o título masculino e criando novos caracteres chineses para expressar sua autoridade. Um desses caracteres, que combina os elementos para "céu" e "brilhante" (曌 zhào), ela designou como seu nome pessoal.
Governando como Imperador
As narrativas ocidentais frequentemente se concentram na crueldade de Wu Zetian — os assassinatos políticos, a polícia secreta, a suposta eliminação de sua própria filha recém-nascida para incriminar uma rival. Esses elementos são reais, embora muitos detalhes venham de histórias escritas por estudiosos confucionistas hostis que tinham todo motivo para exagerar os crimes de uma mulher que violava seus princípios mais fundamentais.