Como as Guerras do Ópio Ainda Moldam a China Hoje
Toda criança chinesa na escola aprende sobre as Guerras do Ópio. Elas aprendem que a Grã-Bretanha forçou a China a aceitar as importações de ópio à força. Elas aprendem que a China perdeu Hong Kong. Elas aprendem que os "tratados desiguais" (不平等条约, bù píngděng tiáoyuē) que se seguiram privaram a China de soberania, território e dignidade.
O que elas aprendem, mais do que qualquer outra coisa, é uma sensação: a sensação de humilhação. O Século da Humilhação (百年耻辱, bǎi nián chǐ rǔ) — o período desde a Primeira Guerra do Ópio (1839) até a fundação da República Popular (1949) — não é apenas um período histórico na educação chinesa. É uma fundação emocional. É a resposta à pergunta: por que a China precisa ser forte?
Porque da última vez que a China foi fraca, foi isso que aconteceu.
A Primeira Guerra do Ópio (1839-1842)
Os fatos básicos são diretos, embora a complexidade moral seja enorme.
No início do século 19, a Grã-Bretanha tinha um problema comercial. Os consumidores britânicos queriam chá, seda e porcelana chineses. Os consumidores chineses não queriam praticamente nada britânico. O déficit comercial estava drenando as reservas de prata britânicas.
A solução, do ponto de vista britânico, foi o ópio. A Companhia Britânica das Índias Orientais cultivava ópio na Índia e o vendia para contrabandistas chineses, que o distribuíam por toda a China. Na década de 1830, cerca de 2 milhões de chineses eram viciados. O déficit comercial foi revertido — agora a prata chinesa estava fluindo para a Grã-Bretanha.
O governo Qing, alarmado pelos danos sociais e econômicos, enviou o Comissário Lin Zexu (林则徐, Lín Zéxú) a Cantão (Guangzhou) para interromper o comércio. Lin confiscou e destruiu mais de 20.000 baús de ópio britânico — cerca de 1.400 toneladas.
A resposta da Grã-Bretanha foi a guerra.
| Aspecto | Detalhes | |----------------------|------------------------------------| | Duração | 1839-1842 | | Forças britânicas | ~20.000 tropas, navios de guerra modernos | | Forças chinesas | ~200.000 tropas, armas ultrapassadas | | Principais batalhas | Cantão, Amoy, Ningbo, Xangai, Nanjing | | Resultado | Vitória decisiva da Grã-Bretanha | | Tratado | Tratado de Nanjing (南京条约, 1842) |O Tratado de Nanjing foi o primeiro dos "tratados desiguais": - A China cedeu Hong Kong à Grã-Bretanha - A China abriu cinco portos ao comércio britânico (Cantão, Amoy, Fuzhou, Ningbo, Xangai) - A China pagou 21 milhões de dólares em prata como indenização - Cidadãos britânicos na China eram isentos da lei chinesa (extraterritorialidade)
O tratado não continha menção ao ópio. A Grã-Bretanha havia lutado uma guerra para proteger o tráfico de drogas e venceu — mas o tratado foi enquadrado como um acordo comercial, não um acordo sobre narcóticos.
A Segunda Guerra do Ópio (1856-1860)
A segunda guerra foi, se é que for possível, mais humilhante do que a primeira.
A Grã-Bretanha e a França, insatisfeitas com os termos do primeiro tratado, encontraram pretextos para uma segunda guerra. O momento mais dramático ocorreu em 1860, quando as forças anglo-francesas capturaram Pequim e queimaram o Antigo Palácio de Verão (圆明园, Yuánmíng Yuán) — um dos maiores complexos arquitetônicos do mundo.
A queima do Palácio de Verão foi deliberada. Lord Elgin, o comando britânico...