Quando a China Dominava as Ondas
Entre 1405 e 1433, a Dinastia Ming (明朝 Míng Cháo) lançou sete expedições navais massivas que ofuscaram qualquer coisa que a Europa pudesse reunir. O comandante foi Zheng He (郑和, 1371–1433), um eunuco muçulmano (宦官 huànguān) de Yunnan que media mais de seis pés de altura e comandava frotas de até 300 navios com 27.000 homens. Isso combina bem com As Dinastias da China: Um Guia Rápido para 4.000 Anos de História.
Para colocar isso em perspectiva: quando Colombo atravessou o Atlântico em 1492 — sessenta anos após a última viagem de Zheng He — ele tinha três navios e 90 homens. O navio-almirante de Zheng He, um navio do tesouro (宝船 bǎochuán), era estimado em 120 metros de comprimento. A Santa Maria de Colombo tinha cerca de 19 metros. A comparação nem chega perto.
O Homem por Trás da Frota
A história pessoal de Zheng He é notável. Nascido Ma He (马和) em 1371 na província de Yunnan, em uma família muçulmana, foi capturado aos dez anos quando os exércitos Ming conquistaram a região. Ele foi castrado — prática padrão para prisioneiros de guerra destinados ao serviço no palácio — e designado para o lar do Príncipe de Yan, o futuro Imperador Yongle (永乐帝 Yǒnglè Dì).
Zheng He se destacou na guerra civil que trouxe Yongle ao poder em 1402, servindo como comandante militar apesar de seu status de eunuco. Quando Yongle decidiu projetar o poder Ming pelo Oceano Índico, escolheu Zheng He para liderar o esforço — um 宦官 comandando a maior força naval que o mundo já havia visto.
As Sete Viagens
As frotas de tesouro visitaram mais de 30 países pelo Sudeste Asiático, Índia, Golfo Pérsico e Costa Leste da África. Chegaram a Mogadíscio, Aden e possivelmente mais longe ao longo da costa africana. Os navios transportavam seda, porcelana e chá chineses e voltavam com produtos exóticos: girafas africanas (que a corte identificou como o mítico 麒麟 qílín), pedras preciosas, especiarias e embaixadores diplomáticos.
Mas essas não eram viagens comerciais no sentido europeu. As frotas de Zheng He eram demonstrações flutuantes da supremacia Ming. O 皇帝 (huángdì) — o Imperador — buscava estabelecer um sistema de tributo (朝贡体系 cháogòng tǐxì) no qual governantes estrangeiros reconhecessem a superioridade chinesa e recebessem presentes em troca. A economia frequentemente favorecia os governantes estrangeiros — a China dava mais do que recebia. O objetivo era prestígio, não lucro.
As frotas transportavam soldados e estavam dispostas a usar a força quando a diplomacia falhava. No Sri Lanka, as forças de Zheng He derrotaram um rei hostil e o trouxeram de volta à China como prisioneiro. Em Sumatra, intervieram em uma guerra civil local. O poder naval chinês, apoiado pela tecnologia de construção naval mais avançada da Terra, era incomparável no Oceano Índico.
Por Que a China Parou
Então, abruptamente, tudo terminou. Após a morte do Imperador Yongle em 1424, as viagens foram gradualmente reduzidas. A última expedição partiu entre 1430 e 1433. Depois disso, a corte Ming não apenas parou de explorar, mas também destruiu ativamente os registros das viagens e eventualmente proibiu a construção de navios oceânicos.